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Edição 1003 - Já nas bancas!
13/11/2017

Gaeco encontra droga na casa da família Solda em Rio Azul, afirma procurador Leonir Batisti

Gaeco encontra droga na casa da família Solda em Rio Azul, afirma procurador Leonir Batisti

Durante o cumprimento do mandado de busca e apreensão na residência da família Solda, em Rio Azul, nesta segunda-feira (13), para apuração de extração ilegal de madeira em imóveis pertencentes ao ex-diretor da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), Abib Miguel, conhecido como "Bibinho", foram encontradas drogas. Os agentes do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), que atuavam na Operação Castor apreenderam, além de documentos, maconha na residência do ex-prefeito Vicente Solda e do atual prefeito Rodrigo Solda.

O coordenador do Gaeco, procurador Leonir Batisti, comentou a apreensão para a reportagem da Radio Thalento, de Rio Azul. “O que nós soubemos é que foi encontrada substância entorpecente, maconha,num determinado local da casa do ex-prefeito. E está sendo apurado qual a razão de estar lá esta pequena porção de droga, maconha especificamente, e quem seria o responsável pelo uso ou eventual comercialização”, disse o procurador.

Esposa de Vicente Solda assume posse das drogas

O delegado da Polícia Civil de Rebouças, Eduardo Mady Barbosa, confirmou que a esposa de Vicente Solda, Jane Skalicz Solda, confessou a posse da droga encontrada.

Em depoimento, ela contou que havia encontrado a droga há alguns anos e usado para fins terapêuticos. Depois do uso, guardou e esqueceu em uma gaveta. “Ela realmente confessou que achou essa droga há quatro, cinco anos atrás. Acabou usando duas vezes para fins terapêuticos na perna e acabou esquecendo a droga na gaveta. A gaveta em que o policial encontrou a droga é a gaveta dela, porque é onde tem as roupas pessoais femininas”, disse o delegado.

O delegado ainda revelou que foram apreendidos celulares. “Foi instaurado inquérito policial para apurar os fatos. Alguns celulares foram apreendidos. Esses celulares serão encaminhados para a perícia. Até agora não temos nenhuma denúncia da parte dela ou dele com relação a tráfico de entorpecentes”, relata o delegado.

O delegado explica que como foi encontrado uma pequena quantidade de maconha e que não há denúncias em relação a tráfico, ela deve responder como usuária de entorpecente. “Foi achado uma pequena quantidade. Não tem denúncia de ninguém com relação a tráfico de entorpecente por ele. Não havia dinheiro na busca e apreensão que indicasse que poderia ser venda de droga, até mesmo porque foi uma pequena quantidade. Então eu resolvi por bem instaurar um procedimento, dar prosseguimento ao inquérito, onde ela foi interrogada pelo delito, já foram ouvidos os policiais que deram o cumprimento de mandado e busca, e nós vamos continuar nas investigações e aguardar a perícia dos celulares para ver se há algum envolvimento ou não”, disse.

Eduardo Mady Barbosa ainda ressalta que para que fosse caracterizado como tráfico outros detalhes teriam que ter sido observados, o que não aconteceu. “Se tem denúncia contra a pessoa, se havia drogas em outros recipientes, se tinha balança, se tinha dinheiro miúdo que também representa aspectos. Mas nenhum desses aspectos foram encontrados lá”, ressalta.

O inquérito sobre a droga encontrada durante a busca e apreensão ficará sob responsabilidade da Polícia Civil de Rebouças. Já o inquérito sobre a extração ilegal de madeira em imóveis pertencentes ao ex-diretor da Alep está sob responsabilidade da Gaeco de Curitiba.

Operação Castor

Sobre a Operação Castor, o coordenador do Gaeco, procurador Leonir Batisti destaca que o objetivo é manter os imóveis de Bibinho que estão sob sequestro judicial por ordem da 4ª Vara Criminal de Curitiba.

“Para eventual ressarcimento dos desvios causados na Assembleia Legislativa do Paraná, de responsabilidade do ex-diretor. Portanto as propriedades que foram sequestradas, foram sequestradas com a sua cultura permanente, como é o caso dos pinnus e eucaliptos. A retirada deles constitui uma ilegalidade, uma afronta à própria justiça e por tal razão houve a expedição dos mandados de busca, para nós obtermos elementos qual a extensão do problema”, disse Leonir Batisti.

Argonautas

A Operação Castor é um desdobramento daOperação Argonautas, que foi deflagrada em 2014, quando o ex-diretor da Assembleia Legislativa do Paraná foi preso pelo Gaeco em Brasília, no momento em que recebia cerca de R$ 70 mil do administrador de suas propriedades no estado de Goiás. Em 2015, ele foi denunciado pelo MPPR junto com outras doze pessoas por envolvimento em desvios de dinheiro público do legislativo estadual. Segundo a investigação, entre 1997 e 2010 foram desviados mais de R$ 216 milhões (em valores atualizados) envolvendo a contratação de pelo menos 97 funcionários “fantasmas” pela Alep.

Texto: Da Redação/Hoje Centro Sul

Foto: Leticia Torres/Hoje Centro Sul