facebooktwitterinstagramgoogle+
Edição 1003 - Já nas bancas!
11/08/2017

Sífilis aumenta em Irati

Número de sífilis adquirida em junho de 2017 já é maior do que o total do ano passado.

Sífilis aumenta em Irati

Os números da sífilis já começaram a acender um alerta em Irati. Em menos de um ano, o município já ultrapassou o número de pessoas com sífilis adquirida em comparação a 2016. Segundo dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN), no ano passado, foram 21 pessoas com sífilis adquirida, sendo que até junho deste ano já foram diagnosticadas 26 pessoas.

Os números da sífilis em gestantes também apresentam uma preocupação, já que os casos existentes somente neste primeiro semestre já representam metade do total diagnosticado no ano passado.

A enfermeira coordenadora do Programa IST/AIDS/Hepatites Virais, Jéssica Cristina Mattos, explica que os casos de sífilis estão crescendo no mundo inteiro. “A gente considera que está vivendo uma epidemia da sífilis, isso a nível de Brasil e também a dados de nível mundial. É uma doença antiga, do século passado, que a gente ainda não conseguiu controlar. Há períodos que ela teve com os dados mais baixos que não houve tantos casos, mas agora vem se observando desde 2007 pra cá um aumento de número de casos”, disse.

Por ser uma doença sexualmente transmissível, a principal suspeita do aumento de casos é o descuido em ter uma relação sexual segura. “É o mesmo caso que a gente relata na situação do HIV. A gente vem observando um aumento progressivo nos casos de HIV, da mesma forma acontece com a sífilis. Provavelmente as pessoas estão se descuidando da relação sexual”, disse.

Sífilis

A sífilis é causada pela bactéria Treponema Pallidum, transmitida por meio do sexo. “A transmissão é muito fácil de ocorrer. Às vezes as pessoas têm a informação equivocada de que uma relação sexual convencional há a necessidade de penetração para haver a transmissão. Somente de encostar a mucosa do pênis na vagina já pode acontecer a transmissão, se a pessoa tiver contaminada com a bactéria. A mesma coisa a gente fala para o sexo oral e vaginal. Encostou, pegou. Diferente do HIV, da hepatite, que precisa do ato sexual mais completo”, relata a

O primeiro sintoma da sífilis é uma ferida no órgão genital. Em caso de contato sem proteção durante o sexo, essa ferida pode transmitir a bactéria da sífilis e assim contaminar outra pessoa. “Não se transmite na respiração, precisa do contato. Inclusive há casos em que aparece a lesão na mucosa oral, na garganta, no esôfago por conta do sexo oral”, relata a enfermeira coordenadora.

Os primeiros sintomas podem aparecer de 10 a 90 dias depois da contaminação. “No homem é mais fácil perceber porque o órgão sexual masculino é exteriorizado e na mulher às vezes nem percebe porque pode sair na parte interna. E é uma ferida que permanece por alguns dias e ela cicatriza espontaneamente sem a necessidade de tratamento”, disse. Isso dá a falsa sensação de cura, mas o paciente entra naquilo que é conhecido como sífilis latente, quando ainda possui a bactéria, mas sem sintomas. O paciente pode permanecer nesse modo até dois anos.

Na fase secundária, as lesões reaparecem agora nas mãos, planta dos pés e no corpo, principalmente na região do tronco. Caso ainda assim, o paciente não procurar tratamento, ele pode entrar em mais um período sem apresentar sintomas, período que pode chegar até 20 anos. Na fase terciária a doença se apresenta de forma mais intensa. “É uma sífilis extremamente violenta, grave, pode causar demência, danos no sistema neurológico, danos ao coração e aos ossos, inclusive podendo levar ao óbito”, alerta a enfermeira coordenadora.

Diagnóstico

Como a doença pode ficar sem apresentar sintomas por um longo tempo, é importante que todos possam fazer o teste para saber se possui sífilis. “O diagnóstico é feito através de um teste rápido. Geralmente a gente já orienta a pessoa que vai fazer o teste rápido, já faz todos os testes disponíveis que a gente tem hoje na rede básica, que é o teste rápido para o HIV, para sífilis, para hepatite b e c. É um furinho na ponta do dedo, 15 minutos depois a pessoa já tem a condição de saber se é portadora da doença ou não”, disse.

Prevenção

Fazer o teste de forma regular e usar camisinha nas relações sexuais são formas de se prevenir contra a doença. Segundo a enfermeira coordenadora, mesmo dentro de um relacionamento estável é necessário estar atento. “O fato de estar em um relacionamento estável e o casal ser fiel um com o outro hoje em dia não protege mais ninguém. A camisinha é imprescindível nas relações sexuais, a população precisa estar consciente disso, inclusive a camisinha é disponível pelo SUS, todas as unidades de saúde de Irati tem preservativo disponível. A gente tem a dizer que as pessoas não pensem mais na AIDS/HIV e demais doenças sexualmente transmissíveis como a doença do outro, pelo fato de ser uma doença nossa. Uma doença que está aí e qualquer pessoa pode ter. Quem vê cara, não vê coração, não é culpa do outro ter a doença. Muitas vezes a pessoa nem sabe que tem, por não ter feito o teste, não ter procurado o diagnóstico. Por serem doenças assintomáticas, no começo a pessoa não sabe, tem relação sexual e acaba transmitindo para o outro”, explica.

Tratamento

Quem é diagnosticado com sífilis é imediatamente tratado. “O tratamento é extremamente simples, varia de uma dose até três doses da Benzetacil, da penicilina, vai depender da avaliação médica e avaliação de exames, e após isso a pessoa pode se considerar curada da doença. Vai continuar fazendo acompanhamento até os exames se negativarem, mas é uma doença que hoje tem cura”, esclarece.

Nos últimos anos, o mundo tem sentido uma diminuição da matéria-prima para fazer a penicilina. No Brasil, houve a preocupação quanto à disponibilidade das doses para o tratamento das gestantes com sífilis. A preocupação fez com que o Ministério da Saúde publicasse uma portaria no ano passado quanto ao tratamento que poderia ser feito em caso de falta da Penicilina G Cristalina ou Potássica.

Segundo a enfermeira coordenadora, o estado não chegou a ter a falta da penicilina. “O Brasil sentiu a falta da penicilina, mas essa falta não chegou até o estado do Paraná, consequentemente nós aqui no município não sentimos essa falta, nunca faltou no município, está aí disponível”, disse.

Gestantes

Um dos casos que mais preocupam é em relação à sífilis congênita, que é a sífilis em gestantes. “A transmissão da sífilis é sexual, mas também a mãe infectada pela bactéria acaba transmitindo para o seu bebê na hora da gestação, do parto, e isso pode trazer consequências sérias para o feto desde más formações congênitas até o óbito, inclusive, pode causar o aborto”, explica Jéssica.

Por isso o acompanhamento do pré-natal é importante. “Toda a gestante que faz o pré-natal ela faz o exame da sífilis em três momentos da gestação: no 1º trimestre, no 2º trimestre e no 3º trimestre, inclusive na hora do parto ela é testada novamente, para saber se adquiriu ou não a doença para evitar que seja transmitida para o bebê”, conta.

Além da mãe, atualmente o pai também é testado. “Existe a indicação do parceiro da gestante se testar, o pai da criança, então a mãe vai fazer o pré-natal, o pai acompanha junto, faz o exame junto, para evitar, porque é uma cadeia de transmissão, se o parceiro tem, vai transmitir pra mãe do bebê que consequentemente vai transmitir para o bebê”, relata.

Assim como na sífilis adquirida, o tratamento da sífilis congênita é feito com penicilina.

Foto/Texto: Karin Franco/Hoje Centro Sul

Galeria de Fotos