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Edição 982
11/08/2017

Por que os jovens querem se tornar youtubers?

Entre os brasileiros, o YouTube é o principal canal para assistir a um vídeo. 32% das pessoas optam por essa plataforma. Youtubers iratienses relatam as experiências nesse ramo, e especialista comenta como isso influencia na vida do jovem.

Por que os jovens querem se tornar youtubers?

O YouTube tem hoje 98 milhões de usuários no Brasil. Nos últimos dois anos, 35 milhões de pessoas se cadastraram, segundo dados da ComscoreMulti-Platforma, 2014-2017, YouTube Insights de 2017. Com o crescimento dessa plataforma e a evolução das mídias houve um crescimento em pessoas que produzem conteúdo no site, que hoje são chamados de youtubers.

Para o jornalista e mestre em comunicação, Romulo Tondo, o crescimento do youtuber se dá especialmente com a evolução das mídias, principalmente com a produção de conteúdo audiovisual independente. “Na atualidade não precisamos de uma formação específica na área de Comunicação para produzir conteúdo. A internet veio com essa (des)construção de barreiras de produção de conteúdo. Na mídia antiga poucos produziam conteúdo informacional. Hoje é bem diferente, muitos produzem conteúdo, mas nem sempre este conteúdo possui relevância. Existe uma segmentação grandiosa de quem fala sobre o que e para quem. Essas pessoas que atingem um grau de relevância no seu nicho são grandes influenciadores de comportamento, principalmente para os jovens que estão construindo suas noções de realidade de mundo”, comenta.

Ele acredita que nesse ramo existem muitos youtubers bons, com conteúdos que não teriam espaço em uma grade de programação tradicional. “Acredito que existem youtubers que são fantásticos, que possuem conteúdo e que dificilmente teriam espaço na grade de programação tradicional. O que devemos pensar é que mesmo na grande mídia existem programas que passam informações e ou um humor que influenciam esses jovens de uma maneira negativa”, explica.

Para oyoutuber, Leonardo Van Der Neut, de 17 anos,a carreira no YouTube é uma forma de conseguir ser reconhecido. “Desde criança sempre foi meu sonho ser ator e trabalhar na TV, e aos poucos foi mudando. Mas no YouTube é bem parecido, sempre tive vontade. Por exemplo, o vídeo tem 10 mil visualizações, eu só vejo números, não vejo as pessoas. E quando eu vejo alguém que fala do canal ou me reconhece, eu percebo que tem gente me vendo. Eu tenho o sonho de ser reconhecido e ter bastante seguidores. Não pretendo desistir nunca, é meu sonho um dia ser reconhecido, ter um canal grande, poder viver disso”, comenta.

Leonardo começou a fazer vídeos com 12 anos, junto com as primas, porém era apenas por brincadeira. Em 2015 resolveu ter um canal único e fazer algo mais específico. Hoje, já acumula mais de 20 mil inscritos em seu canal do YouTube, com um  público alvo de adolescentes de 12 até 17 anos. A produção dos vídeos é feita por ele mesmo, desde gravação até a edição.

O canal possui vários tipos de conteúdos, a maioria são cômicos e inusitados. Ele aposta em algo diferente do que outros produtores de conteúdo estão fazendo.  “As ideias surgem, e eu vou fazendo os vídeos. Eu não faço só um tipo de vídeo, o que todos estão fazendo, às vezes, eu assisto, ou alguém me dá uma ideia, e fico pesquisando para ter uma inspiração”, comenta.

Romulo explica que na vida de um youtuber existe uma peculiaridade e que o conteúdo deve ser relevante para o público que o segue. “O conteúdo fornecido por esse adolescente / jovem ou adulto deve ser relevante para um determinado grupo de pessoas. Caso o adolescente queira entrar nesse segmento deve ter em vista que existe a possibilidade de fracasso. Isso faz parte das competências de um bom profissional, saber lidar com os fracassos”, explica.

 

Apesar das dificuldades enfrentadas, Leonardo não pretende desistir da carreira, e já tem planos para o futuro. “Pretendo fazer faculdade de publicidade, e pretendo continuar, para que possa fazer disso uma profissão, que eu possa me esforçar bastante, ter bastante foco para fazer o canal crescer, porque eu acho que é uma coisa que eu me identifico muito, e eu gosto de fazer, faço por prazer mesmo. Então eu acho que é isso, pretendo continuar, sim”, observa.

Influência para os jovens

Romulo comenta que a internet, não só o youtuber, é influenciadora nos padrões de moda para os jovens, mas isso auxilia para quepossam descobrir a forma de ser e estar. “A internet e as mídias de um modo geral influenciam e ditam padrões para a juventude. Em anos anteriores, a novela ditava entre os jovens um padrão do que era correto usar. A internet possibilitou aos jovens descobrirem novas formas de ser e estar. Não há mal algum em usar a internet para conhecer novas pessoas, realizar pesquisas e construções de relações a partir dela. Acredito que essa conexão deve ser pensada com muita cautela e não pode ser generalizada. Mas, creio que os sites de redes sociais e os aplicativos de comunicação (snapchat, instagram, whatsapp) vêm influenciando e despertando a vida desses jovens e dos adultos”, explica.

O jornalista acredita o termo formador de opinião está ligado à mídia em massa. “Com as transformações ocorridas nos últimos anos, acredito que os youtubers entram em uma gama de influenciadores digitais. Sujeitos que hoje estão no centro das atenções, são reconhecidos por seu trabalho, ano que vem podem estar esquecidos pelo público”, comenta.

Uma pesquisa realizada pelo Google e REDS, em maio de 2017, com consumidores brasileiros online, mostra que o YouTube é o principal canal para se assistir a um vídeo, 32% das pessoas optam por essa plataforma. Os que mais assistem são pessoas entre 18 a 35 anos. Dos entrevistados, 87% dizem que o site permite consumo de qualquer tipo de conteúdo, e 78% dizem que é o local para encontrar os conteúdos mais autênticos, e 65% dos entrevistados que assistem conteúdo de moda pretendem comprar alguma coisa.

A administradora, Jaqueline Martins, de 23 anos, iniciou um canal no site no começo do ano, falando sobre moda e beleza, mas mesmo com esse grande crescente no mercado, principalmente da moda, Jaqueline não pretende seguir carreira como youtuber, a ideia é ser apenas um hobby. “A minha pretensão inicial sempre foi um hobby, uma coisa que eu pudesse fazer para me satisfazer, é algo que me faz bem, mas assim não como profissional. Eu estou bem na minha profissão, gosto do que eu faço. Gosto de trabalhar com pessoas. Até as duas coisas tem isso em comum, lidam com pessoas. Então, a minha pretensão com o YouTube é realmente um lazer, proporcionar vídeos legais, que as pessoas interajam que eu tenha um público”, explica.

Jaqueline tem com um canal com mais de 100 inscritos.Começou com uma parceria com uma TV local. “Sempre gostei de moda, de beleza e resolvi usar o blog para partilhar minhas experiências, os produtos que eu testava, e a partir do blog surgiu à oportunidade de ter uma parceria com uma TV local e fazer vídeos para a TV, em troca dos vídeos que eu fazia para TV eles me forneciam anúncio para eu colocar no canal do YouTube. Eu já tinha essa vontade de ter o canal. Há uns quatro anos, mais ou menos, eu vinha acompanhando as youtubers de beleza, mas eu não tinha estrutura física para poder elaborar um canal sem ter nenhum apoio, e com o apoio da TV deu o ponta pé inicial”, comenta.

Ela vê a profissão de youtuber como trabalho árduo, que pode ser frustrante dependendo da forma como a pessoa começar. “Eu vejo que muita gente consegue levar como profissão o youtuber. Eu, como acompanho o YouTube bastante, sou inscrita em vários canais, observo um crescimento enorme, e as pessoas apostam em um nicho. Mas tudo depende de você conseguir atingir aquele público, eu acho que as pessoas assim como eu, que estão começando, o importante é ter prazer por fazer aquilo, e aí depois de ter prazer naquilo as coisas vão acontecendo, por você mostrar o teu trabalho, por você ser simpática, ter empatia com o público que você está atingindo. Se a pessoa começa já pensando “eu quero ganhar dinheiro” talvez as coisas não aconteçam tão fácil porque o caminho é longo”, ressalta.

Youtuber mulher nos jogos online

A estudante de publicidade, Elisa Seidel, de 18 anos, tem um canal no YouTube sobre o jogo Crossfire, em que joga e narra, além de interagir com os inscritos do canal. Tudo começou devido à paixão da youtuber por games. Ela conta que sempre foi comunicativa, e resolveu unir as duas coisas no canal, também para desconstruir a ideia que jogos são apenas para homens.

 “A ideia do canal saiu do papel e o criei em 2014. Além disso, o público feminino nesse meio ainda é muito pequeno, e o canal foi uma forma de influenciar as garotas a gostar dos jogos e ver que realmente não era somente "coisa de menino"”, comenta.

Hoje, Elisa conta com um canal no YouTube com mais de 90 mil inscritos, a maior parte do público é masculino 96%, somente 4% é feminino, a idade varia entre 12 a 25 anos. Ela faz todo o trabalho sozinha, a gravação, a edição e também a publicidade para crescer nesse meio. Ela já participou do evento Crossfire Stars, em 2015, foi convidada pela Z8 Games. No evento teve a oportunidade de conhecer mais o público que a segue.

“Foi incrível participar do evento, tive a oportunidade de conhecer meus inscritos mais de perto, recebi um carinho imenso que nem tenho palavras para descrever. Nos eventos sempre está presente um público enorme, isso dá muita visibilidade para o canal. Além disso, tenho a oportunidade de conhecer novos lugares e também pessoas de todo canto do mundo. A experiência é sempre maravilhosa e cada vez vem com um gostinho diferente”, conta.

Mesmo com a popularidade, ayoutuber não pretende seguir carreira. “Hoje levo o YouTube realmente como um trabalho. A maior parte da renda vem através do patrocínio de marcas. Minha expectativa é crescer nesse meio, conquistar cada vez mais meu público e principalmente conseguir levar entretenimento para os mesmos. Mas não pretendo seguir profissionalmente, atualmente sou acadêmica de publicidade e propaganda, e pretendo seguir essa área”, explica Elisa. 

 

Texto: Jaqueline Lopes/Hoje Centro Sul

Fotos: Divulgação

 

 

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