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Edição 982
14/07/2017

Evento em Irati traz à tona o debate sobre a inclusão no esporte

Os atletas paralímpicos Ezequiel Babes e Igor Andrade contam como o tênis de mesa passou a fazer parte de suas vidas e como o esporte ajuda a melhorar a qualidade de vida de todos, portadores de deficiência ou não

Evento em Irati traz à tona o debate sobre a inclusão no esporte

No último domingo (09), aconteceu em Irati o 1º Circuito de Tênis de Mesa dos Campos Gerais, e uma das principais atrações foi a presença dos atletas paralímpicos Ezequiel Babes, sete vezes campeão brasileiro e três vezes campeão pan-americano, e Igor Andrade, campeão de algumas etapas regionais e brasileiras.

Ezequiel Babes é natural de Guarapuava e, desde jovem, pratica esportes. Mas em 1996, um acidente fez com que ele se tornasse cadeirante e sua vida esportiva mudasse de rumo. “Antes eu jogava vôlei convencional, e tive um acidente de carro, em 1996. Voltei a trabalhar, a dirigir, a vida normal. Mas sentia falta do esporte em si, porque quando você pratica esporte desde a adolescência cria gosto pelos campeonatos, é uma sensação diferente. Você para de praticar e sente falta daquilo. Eu fiquei quatro anos parado depois que eu fiquei na cadeira de rodas. Aí eu vi o esporte paralímpico na televisão e pensei: Por que não? Na época, eu não sabia, não sabia que uma pessoa com deficiência podia praticar tênis de mesa”, comenta.

Ezequiel começou a ir a uma Associação, onde se praticava  tênis de mesa. Depois, começou a levar o esporte a sério. Foi a Curitiba, onde a seleção brasileira treinava, e iniciou o treinamento juntamente com o técnico da seleção.  Primeiro jogou na Associação, em Ponta Grossa, direcionado a para o esporte paralímpico. Em 2005, foi pela primeira vez disputar o campeonato brasileiro. E de lá para cá ganhou sete desses campeonatos, três jogos paralímpicos, o último em Toronto no Canadá, em que foi medalha de ouro na disputa por equipes, e medalha de prata no individual.

O atleta joga tênis de mesa há quase 15 anos profissionalmente. “Foi um caminho que acabou dando certo. Se você começa a competir, você tem muita viagem, treinamento, treina fora do Brasil, são muitos campeonatos durante o ano, praticamente conheço a Europa toda. Então você vive isso, é um profissional do esporte, do tênis de mesa. E o esporte paraolímpico é visto assim, você precisa de patrocínio, consegue mais no privado, mais bolsas, e incentiva mais os atletas, conseguir empresas é mais difícil, mas é isso”, ressalta.

Para ele o mais importante para quem convive com a deficiência é buscar a qualidade de vida, e com o esporte ela vai melhorar. “Principalmente para as crianças que estão iniciando, a qualidade de vida que terá é muito melhor, você praticando qualquer esporte. Além de tirar das ruas, toda essa parte social que o esporte traz, além de tudo isso, eu acho que é gratificante. O esporte é um mérito só seu. Quando você ganha uma coisa assim, é importante ganhar, mas não é só isso. Principalmente para quem esta começando acho que é muito importante inserir o esporte na vida dela. Além dos amigos que o esporte faz, em várias cidades”, observa.

Já Igor Andrade, que tem um problema na mão, começou no esporte com o futsal, após um convite da Associação de Ponta Grossa. Depois, graças a outro convite de primos e amigos começou  a treinar tênis de mesa, quando tinha 12 anos. Igor se aperfeiçoou no esporte e chegou a ganhar etapas regionais e nacionais. Em 2007 parou com o tênis de mesa, devido à falta de patrocínio.

O paratleta jogou basquete em 2009, chegou a ganhar alguns campeonatos junto com os demais atletas do time, mas decidiu voltar para o tênis de mesa.

“Pensei um pouco no individual, em mim. Com ajuda de alguns patrocinadores, que ainda estão me ajudando, consegui a bolsa atleta, e vou começar a me levantar, juntamente com os campeonatos, para eu chegar a um nível, e estar de novo no topo. Eu sei que essa caminhada vai ser difícil, porque quem está lá em cima se mantém. Mas eu vou trabalhar aos pouquinhos, a minha classe é a que mais tem gente boa, mas eu sei que eu posso chegar, porque eu já tenho conhecimento, já passei por isso, sei que não é fácil. A gente fica na pressão, tem que se adaptar e ter confiança que vai dar tudo certo, nessa transição do basquete para o tênis de mesa,” conta Igor.             

Ele diz que sempre teve o apoio dos pais para ter sucesso no esporte e enfatiza que pessoas com deficiência podem se destacar. “Perante o esporte eu tive a chance de demostrar que nós também podemos ser referência para outras pessoas que estão sentadas, dormindo em casa, que também podem praticar algum tipo de esporte”, conta.

Igor acredita que praticar um esporte transforma a vida das pessoas. “É sensacional, e se tiver a oportunidade faça um esporte, é a qualidade de vida, é a mudança da pessoa em si, leva para vida dela. Aonde for, alguma coisinha o esporte vai deixar na vida dela”, comenta.

O evento

Essa foi a primeira etapa do Circuito de Tênis de mesa dos Campos Gerais, e aconteceu no Ginásio do Batatão. Foi aberto para todos os públicos, federados e não federados, pessoas com deficiência.  De acordo com o organizador, Antônio Teleginski, a inclusão é a principal discussão no evento, que foi preparado para atender as necessidades dos atletas. 

“Fizemos um evento à parte, para que se discuta essa inclusão, oferecemos o tênis de mesa como uma alternativa ou com uma possibilidade, e o Ezequiel veio exatamente para isso. Ele quer falar das possibilidades, não como superou, para as pessoas quererem participar. Verem que é possível “, explica Antonio.

Após as etapas de tênis de mesa que aconteceram em Irati nos meses anteriores, Antonio diz que fez uma dinâmica com as pessoas que participaram para verificarem as reais necessidades de cada atleta. E assim conseguiu desenvolver um evento em que recebeu pessoas de outras cidades, e também pessoas com deficiência.

 A próxima etapa do Circuito acontece em Guarapuava, no dia 27 de agosto, e a última está prevista para o dia 26 de novembro, em Ponta Grossa. O evento foi realizado pela Secretária de Esporte e Laser de Irati, Sociedade Atlética Copel de Irati, Associação de tênis de Mesa de Irati, Secretaria de Esporte e Recreação de Guarapuava e a Fundação Municipal de Esportes de Ponta Grossa. 

Texto/Fotos:  Jaqueline Lopes/Hoje Centro Sul

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