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Edição 982
12/06/2017

“Consideramos justa toda forma de amor”

Assim como na música de Lulu Santos, o jornal Hoje Centro Sul traz três histórias que mostram que toda forma de amor é interessante e o amor pode ser visto de várias maneiras

“Consideramos justa toda forma de amor”

Antes de iniciar a namorar, Júnior Souza e Thiago Gorte já haviam se encontrado em Irati. “A gente se conhecia, mas apenas de se encontrar na rua, nunca tinha conversado”, conta Júnior. Um dia Thiago decidiu adicionar Júnior no Facebook. Na época, Júnior morava em Guarapuava, onde estudava, e foi pelas conversas no Facebook que o casal começou a criar afinidade.

“A gente conversou, perguntei o que estava fazendo em Guarapuava, ele falou que tinha ido embora daqui [Irati], aí quis saber porque tinha ido e ele contou que estava fazendo faculdade. Eu estava de férias do trabalho, fui para lá para a gente conversar e a gente já começou a namorar”, conta Thiago.

O início do namoro teve resistência da família de Júnior, que aceitou ao longo do tempo. “A minha [família] que no início foi um pouco mais complicado, mas hoje é mais tranquilo e temos uma relação bem melhor. A gente criou a nossa família. A mãe do Thiago é como se fosse a minha mãe também”, relata Júnior.

O relacionamento dos dois iniciou há cinco anos e desde os seis meses de namoro eles moram juntos aqui em Irati. Os planos agora são de oficializar a relação. “A gente quer oficializar, mas quer fazer uma coisa legal, não apenas fazer o registro civil”, disse Júnior.

Sobre o preconceito, eles contam que não tem um preconceito direto sobre o relacionamento, inclusive no ambiente de trabalho. Mesmo assim, os dois ainda sentem receio porque dizem que o preconceito que existe é velado. “Não é aquele preconceito direto, mas a gente tem o receio, por exemplo, de por um retrato de nós dois no trabalho”, conta Thiago. O mesmo acontece na rua, onde os dois sentem receio de demonstrar determinados afetosde casal. “Da minha parte ainda incomoda que apesar de estar a cinco anos juntos, morar nesta cidade desde que eu nasci, eu ainda não me sinto preparado de pegar na mão dele e sair de mão dada na rua. Eu não sinto essa liberdade aqui. Sei que se eu pegar na mão, tem pessoas que vão achar escandaloso, vão ficar olhando, aí tenho medo de sofrer um preconceito mais acentuado e de deixar de ser um preconceito só do olhar e partir para uma agressão ou agressão verbal”, disse Thiago.

Para os dois é necessário que as pessoas parem mais de se importar com o que outro está fazendo e que tenham mais compaixão. “Que as pessoas realmente têm que viver o amor sem se preocupar com o outro. E simplesmente amar, não importa quem. Não importa como. Um sentimento tão bonito, um sentimento tão lindo, não precisa ser escondido. É viver o amor e espalhar o amor. Só isso”, finaliza Júnior.

Queila e Gilmara

QueilaLovato e Gilmara do Carmo Freitas se conheciam desde crianças, mas foi somente depois das duas terminarem os seus respectivos relacionamentos que o namoro começou. “Eu era casada antes com outra pessoa. O nosso relacionamento terminou e ela também tinha um relacionamento com um rapaz de Fernandes Pinheiro, que também acabou. Fazia uns seis dias mais ou menos. Era virada de Natal, no dia 24. E sempre tem os negócios de igreja e a gente estava na igreja e ela estava sozinha. Eu fui e convidei ela para passar a ceia conosco porque eu falei: ‘Ah, ela vai ficar sozinha?’. Mas até então não tinha segunda intenções. Ela ficou e depois eu fui levar ela embora. E na hora que eu fui levar ela embora, aconteceu um beijo, do nada”, conta Queila.

Aos poucos as duas foram se conhecendo mais até assumirem o namoro três meses depois e morarem juntas. Com um ano e meio de namoro, as duas já pensam em formar família.“A gente quer casar, porque hoje pode casar. Vamos levando nossa vida assim e na hora que a gente achar que é o momento certo, a gente casa e constrói uma família”, disse. E ela explica que o fato de serem duas mulheres não impede que construam uma família. “Até me perguntaram esses tempos: ‘Ah tá como vocês vão ter filhos?’. Falei: ‘Hoje com tanta inseminação, tanto jeito de se fazer um filho, dá para adotar, dá para você fazer inseminação, isso não quer dizer’”, afirmei.

Sobre o preconceito, ela acredita que o pior preconceito é da família. “O pior preconceito é dentro da família da gente. A minha família me apóia, pai, mãe, avô, tio, minha avó de 70 anos e ela aceita a gente de boa. A gente é um casal normal”, contaQueila.

Mesmo assim, ela também não demonstraem público. “Eu acho que nunca alguém vai me ver beijando ela na rua ou se expondo. Porque eu acho que a gente tem que ter o respeito. Porque querendo ou não, ainda existe pessoas que não aceitam”, relata.

Vereadora e presidente da Câmara de Vereadores de Fernandes Pinheiro, Queila acredita que muito do preconceito existente é causado pelo ciúme. “De 100%, vou chutar uns 5% de preconceito. Primeiro porque se tivesse preconceito, eu não estaria no meu terceiro mandato. Existe uns 5%, mas talvez não seja nem preconceito, talvez sejam pessoas que tenham ciúme da vida que você tem. Às vezes acho que é ciúme das pessoas, de você estar bem, ser vereadora, ter uma companheira legal, de se divertir. Acho que não é tanto preconceito. Acho que a pessoa tem inveja de você”, comenta.

Para ela, o importante é o que a família sente e não o que as pessoas que demonstram preconceito, sentem. “Eu não me importo muito com o que as pessoas sentem. Eu me importo com que a minha família iria sentir. Eu me importo com a minha família, se minha família aceitou, está de boa, não se importa e me ajuda, está tudo bem. Não devo nada a ninguém”, conta.

Jaqueline e Welton

Jaqueline Alves e Welton Caetano tiveram a ação de um cupido para aproximá-los. Tudo começou através do Facebook, quando o primo de Jaqueline, Cassiano, insistiu para que ela adicionasse Welton na lista de seus amigos. Quando ela foi adicionar, viu que já tinha ele em seu perfil e puxou conversa com ele mandando um Oi. “Nós começamos a conversar pelo Facebook, e depois pelo WhatsApp. Só que paramos de conversar porque não tinha mais assunto para falar”, conta Jaqueline.

Os dois só se encontraram pessoalmente depois de algumas semanas em um clube noturno em Irati. “Eu vi ele na entrada e desconfiei que fosse ele por causa da tatuagem que tem no braço. Só que eu não o vi mais lá dentro. E uma hora ele parou no meu lado, nós nos olhamos e nos reconhecemos na imediatamente. Na verdade, nós nos conhecíamos só por foto”, relata.

Naquele dia eles começaram a ficar juntos, mas assumiram o namoro apenas no último dia 15 de abril. Foram cinco meses de idas e vindas porque os dois tinham medo de assumir um relacionamento sério, principalmente porque os últimos relacionamentos dos dois tiveram episódios de decepções amorosas. “Ao mesmo tempo que nós queríamos, nós tínhamos medo pelo que tinha acontecido antes. Tinha medo de namorar de novo e acontecer de novo. Nós queríamos namorar, nós gostávamos um do outro, mas queria fugir disso, não queria admitir”, conta.

Foi com a insistência de amigos que os dois levaram para frente o namoro. “Depois de cinco meses eu me dei conta de que ele era essencial para mim, depois de várias idas e vindas, descobrimos que seríamos um casal perfeito que temos em comum, muitas coisas como sair juntos e curtir”, conta.

Texto: Karin Franco/Hoje Centro Sul

Editorial - Simplesmente amor 

No começo desta semana diversos casais irão comemorar o Dia dos Namorados. Apesar de ser uma data comercial, o dia acaba servindo para que os apaixonados renovem os seus votos de amor um com o outro.

O dia também serve para que possamos repensar os diversos tipos de amor que encontramos: o amor entre pais e filhos, entre amigos, entre colegas e entre casais.

Este último também reúne diversas formas de amar como mostramos nesta edição com dois casais homossexuais e um casal heterossexual.

Apesar de vivermos em um país que já permite legalmente o casamento entre duas pessoas do mesmo sexo (aprovado antes mesmo que nos Estados Unidos), os casais homossexuais ainda enfrentam resistência de parte da sociedade.

O preconceito pode não ser demonstrado abertamente, mas é encontrado no olhar, na indiferença, nas pequenas ações e pequenas palavras do dia a dia.

Isso faz com que, mesmo com o avanço cultural e intelectual de grande parte da sociedade, muitos casais tenham receio de demonstrar o seu amor e afeto em público, evitando fazer pequenos gestos, que para um casal heterossexual seriam inofensivos como o de simplesmente segurar a mão do companheiro (a). O receio é que possa ainda haver agressões em uma sociedade que fala que aceita, mas que age como se não aceitasse.

Em tempos de grande intolerância, devemos aprender a conviver com o diferente, seja a diferença na orientação sexual, a diferença de raça, a diferença de opinião ou até mesmo a diferença na aparência física.

Mas mais ainda: Devemos aprender que o amor não é somente entre duas pessoas heterossexuais e acontece em outros campos. Isso é possível de ver nas respostas das crianças de 8 a 10 anos que trazemos nesta edição.

O amor acontece entre amigos, colegas, família, animais e com Deus. As respostas nos mostram que o amor não tem uma única definição, mas que podem nos demonstrar que o importante é amar um ao outro para que tenhamos uma convivência cada vez mais pacífica e feliz.

Para que possamos colocar o respeito acima de nossos conceitos pré-concebidos, nossos preconceitos, afinal cada ser humano é único e especial. Cada pessoa vê, analisa e sente de uma forma diferente. E todos acreditam que a sua forma de ver, analisar e sentir é a correta. Por isso, em todas as circunstâncias é preciso indulgência e caridade para com o semelhante. Não, simplesmente por serem preceitos cristãos, mas simplesmente porque o amor é o caminho que nos leva a sermos  pessoas melhores, serenas e felizes.  

 

 

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